Sociologia da preferência por AMD e Intel: algumas considerações
AMD: aspectos políticos, sociais e de responsabilidade corporativa
O que se observa nesses movimentos de defesa de marcas é que a maioria dos engenheiros e técnicos mais especializados gosta bem mais da AMD que da Intel, por várias razões. Primeiro que consideram “legal” ver uma empresa pequena como a AMD desafiando uma gigante como a Intel.
O fato de a AMD não fazer tanto marketing também agrada esse segmento mais técnico, assim como o tipo de marketing usado pela Intel – direcionado à massa – causa uma certa repulsa nesse pessoal.
Terceiro que tem a questão da arquitetura em si: do ponto de vista de projeto, os da AMD são mais elaborados, mais elegantes, mais alinhados com o state-of-art da engenharia que emana da academia. Não é segredo para ninguém que alguns projetos da Intel são usados nos cursos de Engenharia Eletrônica como exemplo do que não se deve fazer em um projeto de processadores.
A preferência pela AMD também se sustenta em movimentos que demandam produtos “alternativos” e “diferenciados”. “Alternativo” e “diferenciado” não necessariamente é sinônimo de “melhor”, MAS só o fato de serem “alternativos” e “diferenciados” já atrai esse segmento de consumidores que demanda diferenciação da grande massa.
Além disso, a AMD ainda conta com os consumidores “politizados”, que analisam o comportamento empresarial não apenas sob a ótica do produto, mas de toda a cadeia de processos que gera o produto, e aí observam aspectos relativos a responsabilidade social, política e ambiental das empresas. E enxergam o comportamento da AMD mais convergente com esses princípios “politicamente corretos”.
Esse público, mais técnico e politizado, pode até comprar um PC com Intel, só que sempre apoiará a AMD, independente do tipo de PC que estiver usado.
Intel: marketing
O segmento que apóia a Intel tem características diversas: em geral são pessoas que compram um PC com um processador Intel (na maioria dos casos em decorrência do marketing) e, ato contínuo, passam a defender sua compra, sem muitas fundamentações técnicas. Se no momento subseqüente adquirirem um AMD, passarão a defender a AMD.
Trata-se de um público mais volátil e susceptível ao marketing de massa. Além desses, existem os consumidores sempre apóiam “quem está na frente”. Se, hoje é a Intel, então defendem arduamente essa empresa. Se no momento seguinte for a AMD, então passarão a defender a AMD.
Essa parece ser a sociologia básica do culto à AMD e à Intel. Que é amplamente conhecida e estudada pelas empresas, de forma mais ou menos explícita. A Apple, por exemplo, dispõe de uma “Diretoria de Culto à Marca” em sua estrutura organizacional, e que tem o objetivo de fomentar e potencializar esse tipo movimento de consumidores.
O fato é que os “fã-boys” são cada vez mais importantes nas estratégias de marketing das empresas. E aí se observa outro fenômeno, derivado do exposto acima: quanto maior o market-share de uma empresa, maior será a quantidade relativa de fã-boys que ela disporá, sendo que a qualidade desta varia na proporção inversa daquele.